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set 01 2016

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ENSINO COLETIVO DE MÚSICA

ENSINO COLETIVO DE MÚSICA

Uma Aplicação do Ensino Coletivo Heterogêneo para Instrumentos de Banda de Música

                 Por Heloisio Costa de Oliveira (i)

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Pensar ensino coletivo em música, é adentrar em um ambiente sob ponto de visto histórico na própria formatação da educação como um todo. É antes de tudo vivenciar e avaliar as práticas pedagógicas de diferentes épocas.

 No ensino regular e oficial, a aprendizagem já é considerada coletiva, pois o professor regente tem em sua turma uma média de 20 à 35 alunos, dependendo da unidade de ensino.Já no ensino musical durante muito tempo, os conservatórios optaram por um ensino individualizado, seja nas matérias teóricas ou práticas.

Longe da solidão do ensinamento mestre/aluno, o ensino coletivo busca a brevidade na aprendizagem, quer seja por insight, quer seja pelo compartilhamento de informações e observações do outro (Martins, 1985).

O ensino coletivo de música é hoje uma realidade no Brasil, seja na categoria homogênea ou heterogênea. Nomes como os professores: Alberto Jaffé, José Pedro de Almeida Flávia Maria Cruvinel, Ana Cristina Tourinho, Joel Barbosa, José Alipio Martins e outros, legitimam este método de ensino, através de suas publicações.

A opção pela metodologia do ensino coletivo como matriz dominante pressupõe a presença de professores com alta capacidade profissional, com formação específica nas áreas musicais inerentes ao domínio do conteúdo teórico, bem como  o domínio de técnica instrumental nos vários grupos instrumentais.

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No ensino coletivo de musica três elementos se interseccionam e se complementam: a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade (tópicos dos PCNs). Importante também é acrescentar que o próprio ensino coletivo, prevê em suas distintas fases de aprendizagem, uma abordagem individual. Esta abordagem ocorre quando o aluno já familiarizado com os parâmetros sonoros busca o conhecimento do seu instrumento, através das digitações, dedilhados, arcadas e técnicas mais específicas e elaboradas.

Na célebre lista de funções da música segundo Merriam, analisadas por Freire (2001), a função de comunicação e integração da sociedade, respaldam a premência da música como elemento social, respaldando satisfatoriamente também o fazer musical coletivo.

O que segue abaixo é o relato da experiência de utilização do ensino coletivo heterogêneo utilizado no Colégio Municipal Estephânia de Carvalho:

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  O relato em si consta de uma experiência de cerca de vinte e nove anos à frente de uma banda de música e o testemunho pessoal da assertiva pela utilização do método de ensino coletivo heterogêneo.

Fica desumano para apenas um professor na realidade brasileira guiar um contingente de quarenta músicos. A este professor é dado várias funções: aulas de teoria, aula de instrumento e a regência do grupo.

Em nosso Estado do Rio de Janeiro, na FUNARTE, nos idos anos de 1980 e 1990 era comum a realização de oficinas para bandas de música, no qual era oportunizado aos músicos e maestros, contatos com novas técnicas e novas abordagens, além de ser o fórum para discussões do âmbito das bandas de música. Em um destes encontros que foi realizado em Silva Jardim (1999), fomos orientados pelo maestro Luís Viana, oficial da banda sinfônica do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, que nos colocou em contato pela primeira vez com o método de ensino coletivo para banda de música e a possibilidade dos trabalhos através de exercícios de aquecimento para a banda independente dos naipes e afinações.

Em 2001, já com uma experiência maior, fiz parte da primeira turma do curso “Da Capo: método elementar para o ensino coletivo ou individual de instrumentos de banda”, com o professor Joel Barbosa, em São Paulo. O professor Joel contou a partir de então com o apoio na divulgação de seu método através da revista Weril, que o divulgou amplamente em toda a América Latina.

Um grande complicador para quem quer trabalhar com banda de música é que além dos instrumentos em dó (flauta, oboé, euphonium e trombone), trabalha-se também com outros três grupos de afinações diferentes, quer sejam: si bemol (clarineta. Sax tenor, trompete, barítono e baixo Bb), Mi bemol (sax alto e sax barítono) e Fá (trompas). Porém este empecilho é facilmente contornado, quando o professor tem o preparo adequado já citado anteriormente.

O ensino coletivo é dividido em etapas trimestrais, onde ao seu final, os alunos participam de audições formando trios, quartetos e outros pequenos grupos, além da “grande banda” como prática de conjunto. È nesta etapa de audições, que outro educador musical,Suzuky tem sua concepção de ensino familiar e afetivo tem sua devida contribuição, visto que os alunos juntamente com a plateia formada por familiares e amigos, são encorajados a realizarem suas performances artísticas.

Para concluir, vemos o método de ensino coletivo preconizando a prática e o fazer musical (elementos da espiral de Swanwick, 2001), a promoção da harmonia no ambiente de ensaio dos grupos musicais e facilitação da linguagem e o entendimento das ações (Gestalt), além de otimizar o tempo nos ensaios dos grupos musicais.

Enfim, a tenebrosa evasão dos alunos de música já não acontece com tanta frequência, chegando a ter pelo contrário, uma grande lista de espera para participar das atividades musicais.

 Referências:

CRUVINEL, Flávia Maria. (UFG) O Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais na Educação Básica: compromisso com a escola a partir de propostas significativas de Ensino Musical. 2006.

FREIRE, Vanda Bellard.Música e Sociedade:uma perspectiva histórica e uma reflexão aplicada ao ensino superior de música.2 edABEM .Florianópolis,2011.

MARTINS,Raimundo.Educação musical:conceitos e preconcietos.FUNARTE.Rio de Janeiro, 1985.

TOLEDO NASCIMENTO. Marco Antonio. O ensino coletivo de instrumentos musicais na banda de música. XVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM) Brasília – 2006.

TOURINHO, Ana Cristina. Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais: crenças, mitos, princípios e um pouco de história. XVI Encontro Nacional da ABEM e Congresso Regional da 24 ISME na América Latina. Campo Grande: Editora da UFMS, 2007. Texto disponibilizado pela UAB/UNB.

(i) Heloisio Costa de Oliveira é Mestrando em Música pela UFRJ, É especialista em Regência  e Educação Musical. Maestro da Cia de Artes Musicais Força & Garra, atua como consultor de projetos de música de cunho social e educacional. Realizador dos projetos: Educação sem fronteiras, Ita Musical, São Gonçalo Capital Musical, Colônia de férias musicais e Música para que.

Imagens: Arquivo pessoal do autor

 

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2 comentários

  1. Hilton Jorge da Silva Lemos

    Excelente matéria, vivi essa experiência dentro da Força e Garra liderada pelo professo Heloísio Costa de Oliveira e pude observar o desenvolvimento musical dos alunos, assim como o meu. Hoje faço parte de um outro grupo musical onde acontece o ensino coletivo da música, certamente este método promove a harmonia no ambiente de ensaio dos grupos musicais e facilitação da linguagem e o entendimento das ações (Gestalt), além de otimizar o tempo nos ensaios dos grupos musicais, conforme citado na conclusão da matéria.

    1. Heloisio

      Agradeço a lembrança Hilton. Realmente o ensino coletivo tem se mostrado muito eficiente para os aspectos cognitivos, além de promover uma prática musical o mais breve possível. O fazer musical.

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