jul 01 2016

MUSICOPSICOMOTRICIDADE PARA O AUTISTA

MUSICOPSICOMOTRICIDADE PARA O AUTISTA

    

 Kenia Bianor da Cruz1

 

 

 Musica e psicomotruicidade I

 A musicoterapia e a psicomotricidade podem trabalhar de forma lúdica a estimulação sensorial, auxiliar no desenvolvimento cognitivo, além de proporcionar prazer. A partir da prática clínica, observa-se avanços e excelentes respostas das crianças com o Transtorno do espectro autista na utilização da musicoterapia e da psicomotricidade como meios de estimulação. Através do lúdico e do fazer musical, a criança é estimulada de diversas maneiras e sentidos, qualificando ainda mais a experiência vivida pela mesma.

Segundo Torres (1998, p. 19 apud Fernandes, 2015), a presença da música é de grande significância para cada sujeito, na medida em que se alia à experiência vivida, ao passado e ao presente. Olhar o sujeito independente de suas necessidades especiais, buscando no movimento e no som (e/ou silêncio) uma forma de comunicação, interação social e desenvolvimento emocional. O trabalho de musicoterapia e psicomotricidade juntas buscam facilitar e promover a comunicação (em sua gama de formas de expressão), o relacionamento interpessoal, a socialização, a expressão e organização cognitiva, para que sejam capazes, a partir de sua particularidade, desenvolver seu potencial ate então oculto ou pouco estimulado.

Psicomotricidade

RELATO DE CASO

Trago como exemplo uma criança de oito anos de idade cronológica diagnosticada por médico neurologista como autista. A criança mantem acompanhamento fonoaudiólogo desde os dois anos de idade e psicopedagógico há dois anos. Recebeu alta do acompanhamento psicomotor após dois anos de tratamento e realiza o musicoterápico há três anos, além de estar matriculado numa escola regular acompanhado por mediadora no turno pedagógico (turno da manha), porem permanece na escola em período integral. Segundo os pais, o menino se desenvolveu normalmente até o primeiro ano de vida e, após, apresentou atraso na linguagem, o que os levou a procurar serviço de fonoaudiologia aos dois anos. Há três anos, o menino apenas balbuciava. Não havia linguagem verbal, apenas sons aleatórios e repetição de palavras “soltas” quando estimulado ou de forma ecolálica. Atualmente está desenvolvendo linguagem verbal intencional, pronuncia muitas palavras de forma clara. Seu desenvolvimento motor está normal para idade, apresenta boa coordenação motora e rítmica. O menino iniciou a alfabetização. Consegue ler palavras, reconhecer letras, números e cores.

Nos atendimentos de musicoterapia, apresenta boa relação com a utilização dos instrumentos de modo tradicional e funcional. Na utilização de canções de seu interesse, o menino apresenta excelente interação vocal e tonal. Inicialmente, nos finais de frase, conseguia falar as últimas silabas das palavras, mantendo sempre a melodia correta dentro da tonalidade proposta pela terapeuta ou por ele mesmo. A posteriori, passa a cantar, de modo afinado e claro, praticamente todas as palavras da canção. A criança apresenta, também, um comportamento bem calmo e afetivo, ficando mais “exaltado”, apenas quando contrariado. Não apresenta quadros de auto nem heteroagressão.

Por meio do trabalho terapêutico multidisciplinar e a participação dos pais, o menino demonstrou melhora significativa nas suas relações extra-casa. Consegue se comunicar, entender os comandos e estímulos externos além de executá-los. Seu desenvolvimento pedagógico também foi reforçado e apresenta evolução gradual.

A musicopsicomotricidade auxiliou o menino no seu desenvolvimento, pois, por meio das atividades lúdicas e em conjunto multidisciplinar, estimulou suas funções cognitivas, fala, espontaneidade, concentração e atenção com atividades lúdicas musicais e corporais visando melhora da qualidade de vida do mesmo.

Arteterapia 3

CONCLUSÃO:

Por meio do presente trabalho, conclui-se que o lúdico e o brincar exerce um grande auxilio no desenvolvimento psicomotor e cognitivo da criança. Aliada ao prazer do fazer e experimentar musical pôde-se observar avanços psicomotores, cognitivos, além de exercer influencias significativas na estimulação da criatividade e espontaneidade da criança.

Vygostky entende a brincadeira como uma atividade social da criança e, por meio desta, a mesma adquire elementos fundamentais para sua construção como individuo e compreensão de sua realidade (GOMES, 2007).

Por meio da atividade musical e psicomotora no lúdico, a criança é estimulada a criar seu universo e colocar-se como componente importante do meio social em que vive.

 1Kenia Bianor da Cruz Bacharel em Musicoterapia pelo Conservatório Brasileiro de Musica- CBM CEU Pós graduada em Psicomotricidade Clinico e Institucional pelo IBMR- Laureate International Universities

REFERÊNCIAS:

ARAÚJO,Liubiana A.; SOUZA, Nathan M. Autismo no Brasil, desafios familiares e estratégias de superação: revisão sistemática. Jornal de Pediatria, vol. 91, núm. 2, Março-abril, 2015, pp. 111-121. Sociedade Brasileira de Pediatria. Porto Alegre, Brasil.

GOMES, Adriana da Conceição. O brincar e a psicomotricidade. Monografia apresentada a Universidade Candido Mendes como requisito parcial para a obtenção do grau de especialista em psicomotricidade. Rio de Janeiro, 2007

https://www.google.com.br/search?q=imagens+de+sala+de+musica&biw=1047&bih=504&tbm=isch&imgil=UZO7PeNnK5UjXM%253A%253BauVTaOB1rIJ0eM%253Bhttp%25253A%25252F%25252Fwww.decoracaoedicas.com.br%25252Fdecoracao-para-sala-de-musica%25252F&source=iu&pf=m&fir=UZO7PeNnK5UjXM%253A%252CauVTaOB1rIJ0eM%252C_&usg=__1uJLXNu7DEYqwv2q7lufV4mdD6I%3D&ved=0ahUKEwij-LHHk9HNAhXKjZAKHeLYCJ0QyjcILw&ei=lMx1V6PePMqbwgTisaPoCQ#imgrc=UZO7PeNnK5UjXM%3A

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2 comentários

    • Luciana Rosa do Nasciemento on 24/10/2016 at 12:26
    • Responder

    Boa tarde gostaria de saber se vocês oferece curso
    meu e-mail é nascimentorjluciana19@gmail.com

    1. OI, Luciana. Sim. Faremos o I Workshop Arte+ Ciência e Inclusão no dia 19 de novembro na UFRJ. As informações sobre esse curso e outros, estão nesse site: http://www.cienciaecogniao.org.

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