jun 15 2016

A Música como Expressão Simbólica

   A Música como Expressão Simbólica

                                                                                                                           Márcia Victório

 

 

 

Marcia I                                                                                                                       Marcia Lima

 

            Musicólogos e musicografistas situam a origem da música na origem do universo. Estes estudos nos autorizam a dizer que a música existe desde sempre. As suas funções foram se modificando de modo a acompanhar e significar cada tempo. Hoje, podemos dizer que a música expressa e comunica sentidos, sensações e emoções individuais e coletivas. Ela reflete, ao mesmo tempo que é refletora de um tempo e das sociedades e culturas que existem neste tempo.

Desta forma, podemos inferir que a música pode ser um símbolo arquetípico com funções transformadoras. Através dela o inconsciente pode ser acessado simbolicamente trazendo à consciência  desejos, perdas, dores, alegrias, prazeres, decepções e desconfortos que, compreendidos e  transformados, poderão trazer uma nova qualidade de vida.

Entretanto, utilizar a música como um dos recursos expressivos em Arteterapia não significa fazer uso das propriedades do Musicoterapeuta, é preciso que isso fique bem claro.

Marcia 2                                                                                                                          Marcia Lima

            O Arteterapeuta utiliza a música como mobilizadora de material inconsciente com o objetivo de posteriormente trazer a sua expressão para um material plástico, seja desenho, pintura, colagem, modelagem, ou outro recurso. É sobre este material que é feita a decodificação.

            A título de exemplificação, citaremos uma experiência.

            Foi solicitado a um paciente que pesquisasse em suas lembranças, uma música que falasse de sua infância. Na sessão seguinte, foi trazida uma fita com uma série de canções e brinquedos folclóricos que foram por nós cantados. Em seguida, foi solicitado que o paciente  através de tintas e pincéis, expressasse o sentimento que essas canções lhe suscitaram. Surge o relato de alguns fatos vividos àquela época que o fizeram sofrer muito. Lembrar das brincadeiras e que delas não participava porque era excluído do grupo, que quando participava era o último a ser escolhido porque o consideravam desajeitado, que sempre sobrava como “vovó” porque não conseguia fazer par… foram recordações extremamente dolorosas, mas que possibilitaram ver o quanto era discriminado e o quanto se colocava neste lugar. Foi com muito sofrimento que apontou  situações atuais em que agia com este mesmo padrão de isolamento. Assumir a sua parcela de responsabilidade foi um grande passo na transformação desta atitude. Na sessão seguinte, o trabalho anterior foi novamente apresentado e solicitado que fizesse um outro que o transformasse. A produção deste novo trabalho trouxe prazer e satisfação. Cantamos com alegria novamente as canções. Na produção, ele estava agora, incluído na brincadeira de roda.

marcia 3                                                                                                                                  Marcia Lima

É preciso dizer que o material trazido à consciência não garante a mudança radical de atitudes, mas como em todo processo terapêutico, traz um alerta para novas confrontações. A caminhada continua. Mesmo porque, num sentido mais amplo, a jornada terapêutica é infinita…

Márcia Victório,

psicóloga (CRP 05-8515), arterapeuta (AARJ 07), terapeuta floral, mestre em educação musical (CBM/RJ), doutora em ciências da educação (Universidad Americana/PY), membro fundadora da Associação de Arteterapia do Rio de Janeiro, membro do conselho de honra da UBAAT.

e-mail: marciavictorio16@gmail.com

tel: (21) 2293-8178

 (21) 99216-8577

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