Atividades de musicoterapia com autistas no dia Mundial de Conscientização sobre o autismo

Atividades de musicoterapia com autistas no dia Mundial de Conscientização sobre o autismo

Líliam Ameal[i]

 

Autismo neuro

 

 

Hoje é o dia mundial da conscientização sobre o autismo.  Tivemos vários eventos pelo Brasil e pelo mundo. Acreditamos que isso seja muito importante e um grande avanço para essas pessoas. Que iniciativas como as de hoje sejam repetidas, e que o AMOR seja a base das nossas relações com os outros, com as diversidades encontradas nas escolas, nas famílias e na sociedade.

Os estudos sobre o autismo infantil são muito recentes para a ciência, começaram efetivamente na década de 40, e, também muito complexos, o que gera controvérsias no mundo atualmente. Existe uma variação infinita de comportamentos que abrangem desde leves traços, que não permitem fechar um diagnóstico preciso, até o quadro clínico que apresenta vários sintomas.

O autismo se caracteriza como um transtorno global do desenvolvimento infantil, e atinge aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Autismo 2

Muitos pesquisadores dessa área nos falam que os autistas melhoram seus comportamentos e conseguem estabelecer mais vínculos quando usamos a música em seus tratamentos. Acreditando na capacidade que a música teria para atuar sobre os autistas de modo a produzir uma existência mais rica e motivadora para essas pessoas, musicoterapeutas desenvolvem trabalhos e pesquisas no sentido de promover, por meio da música, uma relação com mais benefícios e desenvolvimento de habilidades.

  Para efeitos didáticos, Barcellos (2007) nos apresenta as atividades que podemos realizar com relevância no setting musicoterápico. São elas: a utilização de instrumentos musicais; da voz; do corpo; jogos rítmicos; rodas e audição de músicas de várias formas. Essas atividades são semelhantes às atividades realizadas em educação musical e recreação, porém, têm objetivos e funções diferentes em cada uma das áreas em que são usadas. Na educação musical usamos as atividades musicais com objetivos de musicalização. Na recreação, tem função de divertimento, entretenimento.  Na musicoterapia, devem ser utilizadas com objetivos terapêuticos. A autora ressalta que essas atividades devem ser realizadas e desenvolvidas de acordo com as necessidades de cada paciente, almejando alcançar os objetivos terapêuticos propostos.

         No trabalho com autistas pude perceber através de relatos de experiências musicoterápicas e por meio de minha experiência atuando com dois autistas num espaço de psicologia e música, que eles têm preferência por atividades realizadas com instrumentos musicais. Acredito que seja pela dificuldade que essas pessoas têm em se comunicar e interagir com outras pessoas.  No entanto, essa preferência não acontece só com os autistas conforme nos fala Barcellos (2007) “Muitos de nós, ditos ‘normais’, muitas vezes somos incapazes de articular uma palavra diante de uma determinada situação, mas nos expressamos durante horas a fio através de um instrumento musical”.

         Ainda segundo Barcellos (2007), podemos realizar também outras atividades musicais com objetivos terapêuticos como o uso da voz, por meio de produção de sons vocais e suas variações, de forma criativa, e por meio de cantar as músicas. Com pacientes autistas, essas atividades podem ser relevantes na medida em que os autistas apresentam dificuldade nas áreas de interação social, ou seja, dificuldade de socialização, disfunção da linguagem, como a comunicação verbal e não verbal, e interesses.

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         Como musicoterapeutas, precisamos conhecer os métodos, as técnicas e as atividades realizadas em musicoterapia, ter objetivos terapêuticos e usar os critérios de acordo com o nosso paciente. No caso do trabalho com autistas, precisamos ter responsabilidades e cuidado com a escolha das atividades que iremos propor, com as técnicas empregadas, com os critérios e as formas de trabalhar as músicas, os sons e os instrumentos musicais, analisando as respostas às músicas e aos sons utilizados. Acreditamos que o uso da música traz alegrias e benefícios em muitas ocasiões, mas não podemos fazer uso delas em terapia sem termos consciência e muita atenção, para observamos as resposta que estamos conseguindo.

Referências:

BARCELLOS, Lia Rejane Mendes. Atividades realizadas em Musicoterapia. Texto Revisado não publicado. Rio de Janeiro, 2007.

[i] Mestranda em Educação, Gestão e Difusão em Biociências, IBqM, UFRJ, Especialização em Musicoterapia e Didática. Licenciatura Plena em Educação Artística/ Música. Licenciatura Plena em Pedagogia. Professora de Educação Musical Colégio Pedro II.

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