Arte e política: Relações e influências com reflexos na sociedade.

Arte e política: Relações e influências com reflexos na sociedade.

Marcos Linhares Mouren [1]

Ao longo do percurso histórico da humanidade arte e política caminharam juntas, seja por conveniência ou por dependência. A arte retrata desde a antiguidade as sociedades que se formaram e registra até a atualidade as inquietações existentes no nosso cotidiano com o objetivo de causar reflexão por suas diferentes linguagens.

Na arte ocidental, muitos artistas foram patrocinados pelos nobres e pela Igreja com a finalidade de registrar e imortalizar costumes e hábitos, mas por vezes, os artistas se viram coagidos a usar a sua imaginação para retratar fatos que não foram verídicos ou que eram apenas meias verdades. A obra de arte nos conta uma verdade que se mistura com o interesse político e institucional daqueles que fomentavam o trabalho dos pintores e já serviu até para reestruturar o enfraquecimento da Igreja Católica depois da Reforma Protestante, durante a ascensão do Estilo Barroco, no século XVII e, ao mesmo tempo que ocorria a Contrarreforma.

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Entretanto, o tempo também mudou e a arte rompeu as barreiras do registro e hoje, na contemporaneidade, questiona e apresenta as inquietações necessárias ao exercício reflexivo sobre a sociedade e os seus valores. Por vezes a obra se torna de difícil entendimento a uma primeira olhada, porém carrega um discurso conceitual indispensável ao seu entendimento e que precisamos nos atentar para o exercício reflexivo. A obra contemporânea não é evidente, mas nos permite por meio da sua subjetividade, a uma tarefa filosófica de entendimento, que nem sempre estamos muito dispostos.

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Proença (2001) destaca que no Brasil toda a nossa arte e a nossa cultura foram basicamente influenciadas pelos padrões da Europa Ocidental, no passado, e dos Estados Unidos, no presente. São fundamentalmente os valores estéticos desenvolvidos no Ocidente que influenciaram os nossos artistas e Faria (2014) afirma que não seríamos inseridos no senso comum sobre a beleza, conforme vemos todos os dias na mídia, mas na função da arte através do pensamento filosófico.

Ainda que a arte tenha sofrido mudanças, ainda podemos estar atentos à alguns traços que se criaram durante o século XIX, como a criação das charges que passaram a mostrar um posicionamento de consciência de política. Hoje temos chargistas que evidenciam por meio do desenho e dos textos ali contidos, a defesa e a crítica ao sistema político existente no país e no mundo, de acordo com suas experiências, ou pensamento partidarista. Fato é que esta arte se popularizou de tal forma que o seu acesso é fácil por estar nos jornais de grande circulação e de uma maneira bem-humorada, apresenta essa politização no tocante as notícias mais populares que se desdobram pela sociedade.

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A arte sempre servirá como uma importante ferramenta para o nosso melhor entendimento sobre os aspectos sociais, temos muito a aprender quando não apenas vemos as obras, mas quando estamos desejosos e dispostos a enxergar a carga de conhecimentos que as suas linguagens desejam nos oferecer.

Referências:

FARIA, Jonas. Filosofia. 1. ed. Maringá, PR. UniCesumar, 2014
PROENÇA, Graça. História da arte. 1. ed. Ática, RJ, 2001.

[1] Graduado em licenciatura em artes visuais pelo Centro Universitário Bennett (2007). Pós-graduado em gestão educacional integrada pela FAAC (2013). Graduando em serviço social pela UniCesumar. Professor de arte na SEEDUC/RJ e na PCRJ. Professor de Desenho Artístico no Mollica Curso de Desenho.

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2 comentários

    • Vera Rodrigues em 02/12/2015 às 17:09
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    Reafirmando sobre a arte contemporânea, eu ainda acrescentaria que talvez a sua complexidade seja o reflexo da nossa própria perplexidade ao não nos reconhecermos nela da mesma forma que, às vezes, nos é tão difícil nos reconhecermos nos outros, entendermos e aceitarmos as diferenças. Como ela quer que reflitamos sobre alguma coisa, até mesmo sobre ser ela arte ou não, nos leva também a nos reavaliarmos sobre nossa presença no mundo: coisa difícil de querermos fazer. A presença da arte já é um ato político. Parabéns pelo texto! Um abraço.

    1. Muito obrigada pela sua participação, Vera! Muito enriquecedora! Grande abraço.

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