ESCOTISMO + MÚSICA = INCLUSÃO SOCIAL

Rossana Ricardo Marinho [1]

Desde que foi criado, o escotismo se tornou uma ferramenta para inclusão, nele não há distinção de religião, cor, classe social e existem sempre atividades de diferentes graus de dificuldades onde todos podem ser bem sucedidos, mesmo os indivíduos com necessidades específicas.

Neste texto faço o relato do percurso de um menino, morador de área de risco na cidade do Rio de Janeiro, que vendo o Grupo Escoteiro em uma atividade externa se mostrou interessado em participar. Esta criança começou a frequentar as atividades em 1996, então com 11 anos de idade.

DSC01710

No início sua adaptação foi difícil, sua frequência inconstante, não havia algo pelo qual demonstrasse interesse, parecia que estar no grupo era uma forma de se afastar da sua realidade. Até que em uma conversa, relatou que teve vontade de participar do movimento escoteiro quando viu em uma das rodas de atividade os escoteiros usando instrumentos musicais e ele sabia “tocar alguma coisa”. Para nós estava posto que era por aí que iríamos conquistá-lo.

Começou todo um processo de incentivo à sua permanência.

Dentro das etapas da vida escoteira, as crianças tem a oportunidade de demonstrar e aprimorar suas habilidades através das especialidades escoteiras, dentre elas, músico. Conseguimos, então um voluntário que se dispôs a ensinar violão para o jovem escoteiro que, depois de algum tempo tirou sua especialidade de músico. Vimos nascer então um outro jovem alegre, disposto a colaborar e participante efetivo e entusiástico do movimento. Nos acampamentos mantinha a trilha musical das rodas ao redor do fogo.

aula-de-violão-para-jovens

Este menino esteve conosco até completar 17 anos, sua situação familiar fazia com que as necessidades o empurrasse para o mercado de trabalho e para o estudo noturno. Tivemos a oportunidade de oferecer uma vaga como aprendiz em um programa de rádio. Nosso jovem agarrou esta oportunidade e começou a se apropriar deste meio de comunicação, mas a música era sua paixão e foi se desenvolvendo neste campo. Pagou seus estudos e seus primeiros instrumentos. Na rádio fez novos contatos e conseguiu apoio para prosseguir.

Hoje tenho a felicidade de vê-lo, adulto com mais de 30 anos, como baixista de uma banda, viaja pelo Brasil acompanhando cantores iniciantes e um pouco famosos. Enfim, vive da música.

Em nenhum momento dessa trajetória houve um projeto específico para inclusão social, o que havia era uma percepção apurada de um grupo de pessoas despidas de preconceitos e dispostas a aceitarem o outro como ele é, partindo da experiência de cada um para a construção de um ambiente de vida melhor para todos, fazendo a inclusão acontecer.

Rossana Ricardo Marinho [1]

Pedagoga – CCHS, Psicopedagoga – UERJ

Mestranda em Pedagogia do E-learning – Universidade Aberta de Lisboa

Professora do Ensino Fundamental I – Colégio Pedro II

rossanamarinho@ig.com.br