Arte+ Ciência e Inclusão: possíveis interlocuções no contexto educacional.

Arte+ Ciência e Inclusão: possíveis interlocuções no contexto educacional.

Líliam Ameal[1]

 

O interesse por práticas mais humanas que promovessem a inclusão nas atividades musicais surgiu a partir das minhas observações como professora de música em várias escolas. Por meio desta vivência nas redes municipal, estadual e federal de ensino, assim como em estabelecimentos particulares, e da prática de ensino e musicoterápica que se desenvolve desde a educação infantil à formação de professores, foi possível constatar que a expressão através da música, seja por meio de cantar, tocar, ouvir, dançar, improvisar, criar e recriar, ajuda na mudança de comportamento e promove prazer, comunicação, inserção social e felicidade às pessoas, indo muito além do desenvolvimento das habilidades musicais. Além disso, experiências com música e arte, podem estimular e modificar nossa capacidade de perceber e expressar emoções, e até alçar efeitos na plasticidade cerebral.

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Neste sentido, entendemos que as inter-relações e interlocuções entre  arte, ciência e o processo de inclusão, se mais conhecidas, poderão ajudar a lidar com as dificuldades de aprendizagem e relacionamento que encontramos na sociedade e, em particular, no ambiente educacional. Desta forma, este artigo inicial visa mostrar que o objetivo principal desta homepage com o blog é elucidar questões referentes a estas áreas do conhecimento, mostrar algumas descobertas científicas sobre a importância da utilização de atividades com recursos musicais, artes e ciências para a inclusão de crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem e distúrbios específicos e comportamentais.

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Contaremos inicialmente com uma equipe de profissionais das áreas de educação, inclusão, neurociências, artes, saúde, música e musicoterapia, com o propósito de oferecer um ambiente para fomentar a troca de ideias e práticas entre pessoas com diferentes formações e experiências, sobre como utilizar as artes e as ciências para aumentar nosso conhecimento com relação às dificuldades enfrentadas por alunos na educação básica.

Ademais, as escolas brasileiras estão cada vez mais pressionadas por leis, como recentemente, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – Estatuto da Pessoa com Deficiência – (BRASIL, 2015), a revisar seus projetos político-pedagógicos e paradigmas educacionais, de modo geral, para acolher e se responsabilizar por todos os alunos, incluindo aqueles que, por algum motivo, se diferenciam do tipo idealizado do aluno típico.

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       Acreditamos que uma abordagem multidisciplinar (de especialistas, profissionais da educação, artes, música, saúde, neurociências, inclusão e musicoterapia) pode ser muito importante tanto para o conhecimento científico a respeito do uso destas experiências com crianças e jovens em um contexto de inclusão, bem como para sua utilização na prática da educação escolar. No entanto, cada profissional é a soma e o filtro de muitas experiências, e traz consigo muito mais do que seus estudos. O trabalho, na medida em que seu próprio conteúdo ofereça subsídios para uma mais profícua atuação dos profissionais junto aos alunos com dificuldades/distúrbios específicos, poderá ao mesmo tempo servir de estímulo à busca de conhecimento em outras áreas e à inclusão de todos os alunos nas escolas.

[1] Mestranda em Educação, Gestão e Difusão em Biociências, IBqM, UFRJ, Especialização em Musicoterapia e Didática. Licenciatura Plena em Educação Artística/ Música. Licenciatura Plena em Pedagogia. Professora de Educação Musical Colégio Pedro II.