O uso de metáforas e metonímias por pacientes esquizofrênicos à luz da linguística cognitiva

Marcus Lepesqueur, Rodrigo Vianna de Almeida, Luiz Filipe Mazzingly Silva, Adriana Maria Tenuta

Resumo

Boa parte da literatura psiquiátrica até o final do século XX sugeriu déficits de produção e compreensão metafóricas por parte dos pacientes com esquizofrenia; portanto, passou-se a atribuir o “concretismo” como um sintoma característico dessa condição clínica. Porém, com os estudos da Linguística Cognitiva, passou-se a compreender que a linguagem humana é, por natureza, metafórica. Neste trabalho, a teoria da Metáfora Conceptual é apresentada a fim de se analisar a produção da linguagem figurativa na fala de cinco pacientes diagnosticados com esquizofrenia. Os procedimentos de análise utilizados foram: o Procedimento de Identificação de Metáforas; o Metaphor Annotation for Source-Target Domain Mappings e a conseguinte conclusão qualitativa de trechos identificados como conotativos. Os resultados revelaram que os pacientes com esquizofrenia produziram tanto metáforas, como metonímias conceptuais. Conclui-se que, sendo a linguagem fruto da cognição que se estabelece na interação com uma cultura, a fala de esquizofrênicos revela a cognição metafórica e metonímica esperada de populações às quais não se atribui concretismo. Este trabalho, portanto, sugere modos de se repensarem tais aspectos semiológicos da esquizofrenia levando-se em conta discussões da Linguística Cognitiva.

Palavras-chave

esquizofrenia; concretismo; linguagem figurativa; linguística cognitiva

Publicado em: Ciências & Cognição Vol 22(1), 2017, pp. 063-092 – http://www.cienciasecognicao.org/revista

Texto completo:
http://www.cienciasecognicao.org/revista/index.php/cec/article/view/1379 P

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