Vamos falar sobre o Autismo

Aline Fernandes Bernal [i]

Nós, seres humanos, precisamos nos conscientizar de que vivemos em meio a diferenças, afinal, ninguém é igual a ninguém, certo?  Porém, estas diferenças durante anos, foram veladas por preconceitos e discriminações infundadas.  Hoje damos luz as diferenças, colocando-as nos holofotes da sociedade, e incluindo-as nesta nova forma de viver, interagindo, incluindo e pertencendo ao mesmo ambiente.

Amanhã, dia 2 de abril de 2019, comemoramos o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 18 de dezembro de 2007, com o intuito de alertar e conscientizar as sociedades e governantes sobre este transtorno do neurodesenvolvimento, ajudando a derrubar preconceitos e esclarecer a todos.

Mas afinal, o que é Autismo? 

Primeiro vamos nomear corretamente este transtorno do neurodesenvolvimento.  Deve ser chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA) devido sua característica multifatorial que possui como características alterações qualitativas e quantitativas da comunicação, na interação social e no comportamento.

Possui também restrição de interesses, estereotipias e repetições de comportamentos. São pessoas que frequentemente tem dificuldade de compreender a linguagem corporal, expressões faciais e entonação, sem consciência das suas inadequações, além de poder haver também alterações sensoriais (cheiros, sons, luzes, texturas e sabores).

Por ser um grupo de afecções do neurodesenvolvimento possui gravidade variada, com influência do nível de desenvolvimento e da idade cronológica, podendo ser leve, sendo bastante independente e autônomo até o grau de dependência para a realização de suas atividades de vida diária.

Muitas pesquisas vêm sendo realizadas afim de elucidar o que é, o que causa e como transcorre esse transtorno.  Estima-se que um em cada 100 pessoas tem TEA, com maior predominância em meninos (conhecendo TEA).  Como causas deste transtorno, pode existir um componente genético, além de ambiental (período gestacional), prematuridade e baixo peso ao nascer.

Segundo o CID 10, consideram-se como TEA os seguintes diagnósticos:

  • F84. – Transtornos Globais do Desenvolvimento;
  • F84.0 – Autismo Infantil;
  • F84.1 – Autismo Atípico;
  • F84.5 – Síndrome de Asperger;
  • F84.8 – Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento;
  • F84.9 – Transtornos Globais não Especificados do Desenvolvimento

Por não existir um marcador biológico, o diagnóstico é realizado através da descrição do quadro clínico (Critérios CID 10), triagens e escalas validadas.

Pode-se observar alterações no desenvolvimento e sinais clínicos de TEA muito precocemente, porém, tem observação somente após os 3 anos de idade, período em que os neurônios responsáveis pela comunicação e pelas relações sociais não estabelecem as conexões tipicamente estabelecidas.

Como qualquer transtorno ou deficiência, quanto mais precocemente for detectado, maiores são os ganhos em termos de desenvolvimento cognitivo, linguagem e habilidades sociais.

De acordo com a Cartilha Institucional Conhecendo o Transtorno do Espectro Autista, há três grandes aspectos em que o TEA se expressa:

  1. Dificuldades de comportamento: há dificuldade de interagir com o ambiente, podendo ser desencadeadas por situações desconfortáveis ou por estímulos que não são processados corretamente.  Pessoas com TEA tendem a controlar o ambiente, com a presença de interesse exacerbado, movimentos repetidos e estereotipados e interesses incomuns.
  • Dificuldades de interação social: A identificação da comunicação não verbal fica prejudicada, como expressões faciais e linguagem figurada, levando a um isolamento social e dificuldade de compartilhamento de interesses.
  • Dificuldades comunicacionais: Possuem o hábito de falar somente de assuntos que lhes despertam peculiar interesse, podendo repetir frases ou palavras de modo frequente e mecânico.

Os transtornos do Espectro Autista precisam ser diagnosticados por uma equipe multiprofissional capaz de avaliar os vários aspectos do desenvolvimento que costumam estar atípicos.  Portanto, esta equipe precisa atuar de forma interdisciplinar e pode englobar profissionais de Psicologia, Psiquiatria, Pediatria, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, além de poder contar com a contribuição dos campos da Neurologia, Fisioterapia e até da Genética.

Importante salientar que essa abordagem multidisciplinar é extremamente importante para a inserção da pessoa diagnosticada com TEA, devendo, por sua vez, ser entendida como pessoa e não reduzida ao seu transtorno, dando condições para que seja entendida, dentro de suas limitações, em seu processo e inserida socialmente.

Referências Bibliográficas:

  1. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora, 2014
  2. APRENDIZAGEM DE A A Z. Cartilha de Aprendizagem. Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pearson. Disponível em: www.pearsonclinical.com.br/cartilhadeaprendizagem. Acesso em 01 de abril de 2019.
  3. Conhecendo o Transtorno do Espectro Autista. Cartilha Institucional. Instituto Federal – Paraíba. 2017.
  4. Protocolo do Estado de São Paulo de Diagnóstico Tratamento e Encaminhamento de Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). 1. Ed. SEDPcD: São Paulo, 2013.
  5. Organização Mundial de Saúde et al. CID10-Critérios diagnósticos para pesquisa: Ed. 1998.

Fonte imagem: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/04/cristo-fica-azul-para-o-dia-mundial-da-conscientizacao-do-autismo.html

[i] Equipe do Blog Arte+Ciência: Inclusão. Mestranda em Diversidade e Inclusão (CMPDI-UFF), especialista em Psicomotricidade, Fisioterapeuta em UTI Neonatal e Pediátrica. Membro do grupo de pesquisa do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (CeC-NuDCEN-IBCCF/UFRJ).


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