Neurociência e Educação: a aprendizagem vista de cima.

Aline Fernandes Bernal [i]

Mas afinal, o que é Neurociências?

É o conjunto de disciplinas neurocientíficas para a compreensão de aspectos funcionais e anatômicos do sistema nervoso.  Através delas, somos capazes de entender o funcionamento das estruturas neurais, para que intervenções e novas abordagens sejam executadas (LENT, 2010).  É uma ciência que se encarrega do entendimento do sistema nervoso, suas estruturas, alterações, reações aos estímulos do meio e relação entre corpo e mente (CARVALHO et al., 2015; FERNANDES et al., 2015).

Cada vez mais novos profissionais, além dos neurocientistas, estão se interessando pelo estudo das neurociências, como engenheiros, artistas gráficos e profissionais da educação como professores e pedagogos, que estão em busca de saber como ocorre o processo de aprendizagem (LENT, 2010).

Dentro do enfoque educacional, através das neurociências, compreende-se funcionamento neurológico o desenvolvimento e a maturação cerebral para que possamos conhecer e desenvolver o potencial cognitivo de um indivíduo para as funções relacionadas a linguagem e a aprendizagem (OLIVEIRA; ROSSI, 2017).  Aborda aspectos da atenção, percepção, memória e linguagem, que são funções que fazem parte da nossa cognição e que estão diretamente ligadas a todos os processos de aprendizagem (FILIPIN et al., 2016).  Para a aprendizagem, a memória é a principal função, pois através dela, ocorre a consolidação e a evocação de informações recebidas para novos aprendizados (FILIPIN et al., 2016).  Aprendizagem se constitui em um processo complexo que envolve a formação de novas memórias, unindo a experiência vivida com reflexões anteriores integrando a informação nova à memória preexistente (CARVALHO et al., 2015; SOUZA, 2016).

Bastoszeck (2015) afirma que a aprendizagem e a educação estão intimamente ligadas ao desenvolvimento do cérebro.  Este desenvolvimento, por sua vez, está condicionado aos estímulos externos, do ambiente em que está inserido, formando novas sinapses a partir das reações cerebrais a estes estímulos, onde ocorre a aprendizagem.

A pesquisa em neurociência por si só não introduz novas estratégias educacionais. Contudo fornece razões importantes e concretas, não especulativas, porque certas abordagens e estratégias educativas são mais eficientes que outras (BASTOSZECK, 2015).  As neurociências se encarregam de clarificar a estrutura e funcionamento do sistema nervoso, enquanto a educação cria condições para o desenvolvimento das diversas competências. Educar é proporcionar meios para aprendizagem, e, consequentemente, para aquisição de novos comportamentos. Durante o processo de aprendizagem, o sistema nervoso passa por modificações; sinapses mais duradoras são ativadas (SOUZA, 2016; CARVALHO et al., 2015). 

Os professores, quando devidamente capacitados em neurociências, são verdadeiros agentes de mudanças cerebrais, onde suas estratégias de ensino-aprendizagem produzem estímulos, promovendo a neuroplasticidade, onde o sistema nervoso se reorganiza e se adapta, tendo como resultado, mudanças comportamentais e a aprendizagem efetiva (SOUZA, 2016).

Desta forma, novas metodologias e técnicas de aprendizagem mais adequadas podem ser utilizadas, otimizando e facilitando o processo de ensino-aprendizagem, tendo o professor um novo papel nesta relação, utilizando-se das neurociências para um pleno aproveitamento desse sistema e a uma melhora significativa na construção do conhecimento, desenvolvendo estratégias que possibilitem uma melhor e mais significativa aquisição dos conhecimentos apresentados aos alunos (CARVALHO et al., 2015). 

Referências

BARTOSZECK, A. B. Neurociência na educação. Revista da Universidade Federal do Paraná, 2015.

CARVALHO, A. A.; KATO, L. L; DAROZ, R. B. A relevância das neurociências para o ensino e a aprendizagem de ciências no ensino. Revista Educação, v. 9, 2015.

FERNANDES, C. T. et al. Possibilidades de aprendizagem: reflexões sobre neurociência do aprendizado, motricidade e dificuldades de aprendizagem em cálculo em escolares entre sete e 12 anos. Ciencia & Educação, v. 21, n. 2, p. 395-416, 2015.

FILIPIN, G. et al. Formação continuada em neuroeducação: percepção de docentes da rede básica de educação sobre a importância da neurociência nos processos educacionais. CATAVENTOS-Revista de Extensão da Universidade de Cruz Alta, v. 8, n. 1, 2016.

LENT, R. Cem Bilhões de Neurônios: conceitos fundamentais em neurociência. 2.ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2010.

OLIVEIRA, A. M.; ROSSI, M. S. NEUROEDUCAÇÃO: UM NOVO CONCEITO DE APRENDIZAGEM?. Revista UNIPLAC, v. 5, n. 1, 2017.

SOUZA, G. G. L. de et al. A neurociência e a educação: como nosso cérebro aprende?. UFOP, 2016.

Imagem: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2014/08/neuroeducacao-e-aprendizagem.html

[i] Equipe do Blog Arte+Ciência: Inclusão. Mestranda em Diversidade e Inclusão (CMPDI-UFF), especialista em Psicomotricidade, Fisioterapeuta em UTI Neonatal e Pediátrica. Membro do grupo de pesquisa do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (CeC-NuDCEN-IBCCF/UFRJ).

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