A “Magia” da Afetividade no Desenvolvimento Infantil

Aline Fernandes Bernal [i]

Nothing Short Of Magic by Katie m. Berggren

 

O desenvolvimento infantil acontece na inter-relação entre os âmbitos, neurológicos, motores, psicológicos, cognitivos, emocionais e sociais.  Todos eles estão interligados e qualquer prejuízo em algum destes itens, trará desordens na vida adulta.

A interação do bebê com o meio externo se dá a partir do sistema sensório-motor, portanto, através dos sentidos, o bebê reage aos estímulos.  Esta reação pode ser positiva ou negativa.  Quando recheada de afetividade, a reação será positiva, tornando a afetividade um composto fundamental nas relações sociais, sendo essencial no seu processo de desenvolvimento (SANTOS et. al., 2016; OLIVEIRA et. al., 2017).

Os laços afetivos cultivados desde a vida intrauterina, repercutem no seu desenvolvimento integral, tornando-o um adulto seguro e com boa interação social.  Ao longo da vida, a criança tem a necessidade de estabelecer um vínculo com pessoas que mantém contato direto.  Seu primeiro contato, portanto, é com a mãe, onde existe a maior conexão afetiva (SILVA, GERMANO, 2015). No momento do seu desenvolvimento, tanto a estrutura psíquica como o sistema biológico da criança estão em construção, sendo o vínculo afetivo como uma forma de manter-se ligado emocional e/ou comportamentalmente, garantindo um desenvolvimento integral saudável (SILVA, GERMANO, 2015; OLIVEIRA et. al., 2017).  A forma como a criança reage e se expressa no seu dia a dia, vem de sua estrutura emocional, formada através da afetividade construída desde sua vida intrauterina (NASCIMENTO et. al., 2017).

Em todo o processo de desenvolvimento da criança, ela aprende.  O aprendizado pode ocorrer de forma segura e prazerosa quando a afetividade está presente (NASCIMENTO et. al., 2017).  Pode-se afirmar que a ludicidade é uma forma de exercitar a afetividade incluindo estímulos repletos de contato físico com amor, carinho e comunicação, acarretando em resultados positivos na e o sucesso no desenvolvimento da criança através da qualidade dos estímulos que ela recebeu lá no início da vida (OLIVEIRA et. al., 2017; NASCIMENTO et. al., 2017).

É desta forma que a “magia” acontece, conferindo à criança uma consciência afetiva, entendendo os estímulos recebidos como apoio, cuidado e proteção. A partir da interação social e o exercício da afetividade, o desenvolvimento cognitivo segue emergindo, pois este é estimulado através da afetividade.  A cognição e a afetividade são interdependentes, formando a identidade do indivíduo, auxiliando desta forma na aquisição do conhecimento e da aprendizagem (NASCIMENTO et. al., 2017; SANTOS et. al., 2016).

Dentro deste contexto, crianças com desenvolvimento saudável, tem fortes laços afetivos construídos com seus pares, especialmente na sua relação materna, tendo a sua privação levar a um extenso prejuízo para este indivíduo na sua vida adulta, tornando-o inseguro e antissocial, além de prejudicar as capacidades cognitivas e de aprendizagem (SILVA, GERMANO, 2015).

O afeto é indispensável no desenvolvimento e na formação da criança para a vida adulta, promovendo a aprendizagem com carinho e confiança necessária nas suas relações sociais.  A ludicidade tem papel importante neste processo, onde se tem um meio de interação ao brincar, jogar, criar e inventar, promovendo um equilíbrio entre seu desenvolvimento e o seu mundo emocional (NASCIMENTO et. al., 2017).

 

Referências

NASCIMENTO, Voltolini Helena do; OLIVEIRA, Maria Aparecida Miranda de; FÁTIMA, Oliveira Maria de. Afetividade na educação infantil. Revista Saberes Docentes, v. 2, n. 3, 2017.

OLIVEIRA, Mirian Eugênio de; SIQUEIRA, Alessandra Cardoso; ZANDONADI, Antônio Carlos. A importância do afeto materno através do toque para o desenvolvimento saudável da criança. Revista FAROL, v. 3, n. 3, p. 97-110, 2017.

SANTOS, Anderson Oramisio; JUNQUEIRA, Adriana Mariano Rodrigues; DA SILVA, Graciela Nunes. A afetividade no processo de ensino e aprendizagem: diálogos em Wallon e Vygotsky. Perspectivas em Psicologia, v. 20, n. 1, 2016.

SILVA, Maria Rosimere da Conceição; GERMANO, Zeno. Perspectiva psicanalítica do vínculo afetivo: o cuidador na relação com a criança em situação de acolhimento. Psicologia Ensino & Formação, v. 6, n. 2, p. 37-53, 2015.

Imagem: http://www.kmberggren.com/2014/05/nothing-short-of-magic-the-everyday-connection-collection/

[i] Equipe do Blog Arte+Ciência: Inclusão. Mestranda em Diversidade e Inclusão (CMPDI-UFF), especialista em Psicomotricidade, Fisioterapeuta em UTI Neonatal e Pediátrica. Membro do grupo de pesquisa do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (CeC-NuDCEN-IBCCF/UFRJ).

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1 comentário

    • GLAUCIO ARANHA BARROS em 06/12/2018 às 20:54
    • Responder

    Parabéns pelo texto.

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