A Cura pelo Brincar

Aline Fernandes Bernal [i]

O momento do adoecimento de uma criança gera um desequilíbrio em diversos aspectos da sua realidade, interferindo no seu estado físico, emocional, social e, consequentemente, no seu desenvolvimento.  A criança hospitalizada tem essas alterações amplificadas, pois também tem alterações desagradáveis no seu ambiente e no cotidiano para se adaptar (ARAÚJO et. al., 2016; PRADO et. al., 2017).

Estas alterações um tanto quanto perturbadoras devem ser minimizadas com ações dos profissionais da saúde que prestam cuidados para sua recuperação plena (ROCKEMBACH et. al., 2017).

A criança se desenvolve naturalmente através do brincar, utilizando atividades lúdicas que lhe conferem aprendizado e o seu pleno desenvolvimento (ROCKEMBACH et. al., 2017).  O brincar é uma característica marcante da infância (LIMA, 2017). O brinquedo é capaz, portanto de antecipar o desenvolvimento, onde a criança adquire motivação, habilidades e atitudes necessárias à sua participação social.  Através do brinquedo, a criança é capaz de elevar o imaginário, alterando sua realidade (VYGOTSKI, 1991).  O lúdico é intrínseco na criança, pois através dele, explora o desconhecido, adquire conhecimentos e expressa suas vontades, interagindo com o mundo e manifestando sua personalidade (ROCKEMBACH et. al., 2017).  Brincando, a criança ativa o seu desenvolvimento sensório-motor e intelectual, assim como desenvolve habilidades de interação social com as pessoas (PRADO et. al., 2017).

A criança hospitalizada deve ser vista como um ser integral, não somente como a doença em si, priorizando suas características únicas, onde o lúdico passa a ser uma ferramenta para que a criança passe pelo ambiente hospitalar de forma menos estressante possível, permitindo que o profissional de saúde faça parte do seu mundo de “faz de contas”, tornando sua realidade mais prazerosa no meio dos cuidados mais invasivos e das condições da própria patologia (LIMA, 2017).

O brincar no ambiente hospitalar, por ser prazeroso à criança, proporciona a capacidade de inventar e criar um mundo próprio, tornando-a mais propícia para a comunicação e a relação com o profissional de saúde (ROCKEMBACH et. al., 2017; PRADO et. al., 2017).  No ambiente hospitalar, o brinquedo passa a ser terapêutico, tornando-se instrumento fundamental na assistência, integrando a criança e fazendo com que sua permanência durante sua internação seja mais agradável e descontraída, dando continuidade no desenvolvimento infantil de forma integral, promovendo o seu bem-estar físico, emocional, intelectual psicológico e social, facilitando a sua recuperação juntamente com o tratamento clínico (ARAÚJO et. al., 2016; PRADO et. al., 2017).

Desta forma, a utilização do lúdico objetiva promover a recuperação da saúde através do brincar.  Favorece a diminuição do estresse, do medo, da ansiedade e da dor, sendo a brincadeira um fator tranquilizador para a criança, diminuindo a resistência à adaptação ao novo ambiente, facilitando a cooperação da criança ao tratamento (LIMA, 2017; ROCKEMBACH et. al., 2017).

REFERÊNCIAS

ARAUJO, Raphael A. et. al. Uso de atividades lúdicas no processo de humanização em ambiente hospitalar pediátrico: intervenção Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET/Saúde REDES-Urgência e Emergência). Revista da SBPH, v. 19, n. 2, p. 98-106, 2016.

LIMA, Antônio José Araújo. Percepções De Profissionais Da Equipe Multidisciplinar De Saúde Em Relação Às Atividades Lúdicas Em Hospitais Públicos Pediátricos De São Luís Do Maranhão. Universidade Federal do Maranhão. Dissertação de Mestrado. 2017.

PRADO, Patrícia Fernandes et al. Uso de recursos lúdicos na assistência à criança hospitalizada: relato de experiência. Revista Intercâmbio, v. 10, p. 238-243, 2017.

ROCKEMBACH, Juliana Amaral et al. Inserção do lúdico como facilitador da hospitalização na infância: percepção dos pais. Journal of Nursing and Health, v. 7, n. 2, p. 117-26, 2017.

VYGOTSKI, L. S. A Formação Social Da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

Imagem:
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[i] Equipe do Blog Arte+Ciência: Inclusão. Mestranda em Diversidade e Inclusão (CMPDI-UFF), especialista em Psicomotricidade, Fisioterapeuta em UTI Neonatal e Pediátrica. Membro do grupo de pesquisa do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (CeC-NuDCEN-IBCCF/UFRJ).

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