A Inclusão no Ritmo da Dança

Aline Fernandes Bernal [i]

A inclusão se dá em uma via de mão dupla, onde deve ocorrer a capacitação da pessoa com deficiência e a adaptação da sociedade (ANTUNES, 2016).  As crianças com deficiências devem estar incluídas em todos os ambientes do quotidiano, na escola principalmente, onde devem ocorrer estímulos capazes de promover uma maior interação desta criança com os demais alunos (BRASIL, 1998).  A participação nas aulas deve gerar o desenvolvimento das capacidades afetivas, de integração e inserção social, oportunizando a criança o desenvolvimento de suas potencialidades (BRASIL, 1997).  Através das artes, a criança pode se expressar de maneira própria, onde a dança tem papel fundamental neste processo.  A expressão e a comunicação através da dança se dá através de gestos, onde os estímulos sonoros funcionam como referência para o movimento corporal (BRASIL, 1997).

A dança é uma atividade expressivo-motora que pode ser definida como uma sequência de gestos, passos e movimentos corporais, que incluem melodia, ritmo e harmonia, com uma forma de expressão própria, levando a uma linguagem gestual corporal.  As capacidades estimuladas por atividades de dança proporcionam aos alunos uma melhor verbalização, possibilitando a sua inclusão no mundo em que vivem, além de desenvolver a linguagem não verbal e a coordenação motora, com autonomia na sua vida diária (RABELO, 2014; SILVERIO, 2015).

Nas crianças com deficiências há alterações de desenvolvimento da percepção corporal e, por conseguinte, da motricidade.  As atividades com dança proporcionam para estas crianças um desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo, além de gerar autonomia na execução de movimentos.  Os ganhos na percepção corporal são notados, levando a uma nova forma de vivenciar o corpo, aumento da autoestima, da aceitação corporal, do contato consigo próprio, inserção social e consequentemente, uma melhor qualidade de vida (ANTUNES, 2016).

O corpo da criança com deficiência não deve ser considerado limitado, com impossibilidade de execução de determinadas tarefas.  De forma contrária, este corpo deve ser visto como único, com potencialidades próprias e capaz de executar à sua maneira, no seu ritmo e no seu tempo, as atividades propostas (ANTUNES, 2016).  Neste sentido, a dança é vista como um processo individual, considerando a criança como ser integral, onde o corpo é um instrumento de expressão, mantendo em aberto um reportório de possibilidades individuais (RABELO, 2014; ANTUNES, 2016).  A medida em que as crianças se envolvem com as atividades de dança, superam suas limitações, gerando grande satisfação e inclusão social (ANTUNES, 2016).

A dança como recurso artístico-terapêutico auxilia no bem-estar físico e mental, capaz de fazer a conexão do concreto e abstrato, através da experiência sensorial, promovendo a percepção, traduzindo sua expressividade em gestos e movimentos (SILVERIO, 2015).  O movimento da dança ocorre a partir de um conjunto de estímulos externos e internos, de natureza física ou emocional que irão provocar uma reação por parte do indivíduo, alterando o seu estado energético, trazendo sensações de bem-estar, prazer e satisfação (RABELO, 2014).

De acordo com Silvério (2015), a dança é capaz de promover:

  • A nível individual: aumenta a autoestima e a segurança;
  • A nível da socialização: permite o sentimento de pertencimento;
  • A nível físico: favorece a expressão corporal das sensações e dos sentimentos de forma natural e desinibida;
  • A nível psicológico e expressivo: potencializa a criatividade;
  • A nível cognitivo: desenvolve mecanismos de memorização;
  • A nível da interação social: favorece a integração do indivíduo.

Segundo Rabelo (2014), a dança é capaz de proporcionar a prevenção de rigidez articular; a estimulação da musculatura e da coordenação, da resistência física; a diminuição de contraturas; aumento do fluxo arterial, venoso e linfático, o que favorece a nutrição dos tecidos; a melhoria da função cardiorrespiratória; além de ganhos de agilidade e de equilíbrio de tronco.

Desta forma, a criança com deficiência possui diversos benefícios com as atividades de dança, que devem ser realizadas desde a primeira infância.  Quanto mais precoce a exposição ao estímulo, maior ganho no desenvolvimento neuropsicomotor.

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Ana P.; SILVA, Carolina; ARAÚJO, Liliana. A dança como fator de desenvolvimento pessoal e de inclusão: percepções de um grupo de dança inclusiva. Revista Portuguesa de Educação artística, v. 3, n. 1, 2016.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Vol.2. Brasília: MECSEF, 1998.

BRASIL. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: educação física. MEC/SEF, 1997.

REBELO, Patrícia Carla Portugal dos Santos. A importância da dança, enquanto terapia, na inclusão de crianças com paralisia cerebral. 2014. Tese de Doutorado.

SILVÉRIO, Carina Cavalheiro. Socialização e inclusão das crianças com Necessidades Educativas Especiais através da dança. 2015. Tese de Doutorado.

Imagem:
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[i] Equipe do Blog Arte+Ciência: Inclusão. Mestranda em Diversidade e Inclusão (CMPDI-UFF), especialista em Psicomotricidade, Fisioterapeuta em UTI Neonatal e Pediátrica. Membro do grupo de pesquisa do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (CeC-NuDCEN-IBCCF/UFRJ).

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