maio 01 2017

A música para crianças especiais

A música para crianças especiais

João Rilton

( IBFE Institutio Brasileiro de Formação de Educadores)

                Já tem um tempo que venho acompanhando os trabalhos do músico e neuropsicopedagogo Junior Cadima, um amigo pessoal e parceiro de workshops de música e neurociência. A sua especialidade é usar a música como ferramenta terapêutica no trabalho com crianças e adultos com algum tipo de deficiência cognitiva: Síndrome de Down, Autismo e Paralisia Cerebral são alguns dos diagnósticos dos alunos de Cadima. Através de uma boa conversa ele me respondeu algumas dúvidas sobre o seu trabalho. Compartilho agora esses esclarecimentos com vocês.

            A primeira coisa que perguntei foi sobre qual a maior dificuldade que ele encontrava para trabalhar com crianças especiais, afinal de contas, nem sempre conseguimos respostas significativas ao lidar com certos tipos de deficiências cognitivas. A minha surpresa foi ele dizer que não eram as crianças a maior dificuldade, mas sim criar uma parceria com as famílias, explicando para elas sobre quais evoluções são possíveis e o que podem esperar do trabalho, muitas vezes a família tem uma visão exagerada dos resultados. O profissional diz que quando a família assume o compromisso de colaborar com o trabalho, os resultados aparecem, cria-se um ambiente de cooperação entre o profissional, a família e a criança. Devemos pensar que não se trata de ensinar um instrumento musical, mas sim de fazer uso da música e de seus elementos: harmonia, melodia e ritmo, em prol do desenvolvimento cerebral, e contando com o respaldo interessado da família, para que se estimule constantemente o cérebro da criança. Nos textos anteriores eu já demonstrei o quanto a música tem a capacidade de ativar as regiões cerebrais, por isso o seu uso é tão eficiente no trato de deficiências cognitivas.

            Uma outra dúvida que eu tinha era como avaliar o progresso do processo terapêutico. Cadima usa vários exercícios onde a cooperação entre as crianças é fato pontual. Ele percebe que ao pedir que elas se ajudem, que se organizem nos grupos e executem os exercícios, os processos de autoestima e sociabilidade começam a se desenvolver, a criança se sente segura no grupo – estudos neurocientificos demonstram que há liberação de oxitocina:  um neurotransmissor relacionado com o sentimento de segurança e de aceitação – durante a prática de música em grupo. O processo terapêutico com música executada em grupo desenvolve autoestima e autonomia na criança especial: bases primordiais para a evolução cognitiva como um todo. A criança ao se sentir segura prepara o seu cérebro para o aprendizado, fica aberta a apreender fatos e informações novas.

            Os focos principais dos exercícios são trabalhar a Psicomotricidade, que é a relação entre o desenvolvimento motor e psicológico durante as fases de desenvolvimento cognitivo, e também trabalhar as Funções Executivas, que são as funções cerebrais básicas necessárias para uma boa performance do indivíduo na sociedade, são as funções que adequam o indivíduo ao meio ambiente que ele vive. De posse desse conhecimento, o profissional diagnostica quais as defasagens apresentadas no processo psicomotor e no desenvolvimento das funções executivas, e escolhe atividades para estimular as regiões cerebrais deficientes nesses processos. Essa versatilidade da música em conseguir ativar praticamente todas as regiões cerebrais é a sua maior virtude no tratamento de crianças especiais.

            Por tudo isso, viva a Música!!

Imagens: www.google.com.br

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1 comentário

    • Daniel Ferraz Paulino on 25/06/2017 at 15:47
    • Responder

    Como posso adiquirir alguns desse livro de inclusão musical

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