abr 01 2017

Trabalho de Estimulação da Interação e Socialização por meio de Atividades Motoras realizadas na Bateria

Trabalho de Estimulação da Interação e Socialização por meio de Atividades Motoras realizadas na Bateria

Junior Cadima

 

2017, abril Junior 1

 

            As atividades que envolvem música e bateria vão muito além de aprender e ter contato com o instrumento. É um momento em que temos a oportunidade de estimular o desenvolvimento de diversos aspectos relacionados ao sistema cognitivo, motor e afetivo.

            Além da vivência individual, uma das propostas do trabalho em grupo é colocar os jovens numa situação na qual possam interagir uns com os outros. Eles aprendem a lidar com o tempo do outro e a dividir a atenção do educador. Os laços afetivos são fortalecidos e o respeito passa a ser mútuo. O resultado disso é que acabam levando estes benefícios para outros contextos que frequentam. Geralmente escolho momentos estratégicos e coloco cada um dos alunos numa posição de educador da atividade. Sempre fico como mediador e só interfiro se necessário ou para dar alguma instrução específica. Aplico essa proposta com alguns grupos e os resultados são muito bons. Há um ganho na interação, socialização e no respeito entre eles.

2017, abril junior 2

            Para Vygotsky (2003), as interações sociais são muito importantes. Ele traz a ideia da mediação e da internalização como aspectos fundamentais para a aprendizagem, defendendo que a construção do conhecimento ocorre a partir de um intenso processo de interação entre as pessoas. O autor ainda destaca a importância do outro não só no processo de construção do conhecimento, mas também de constituição do próprio sujeito e de suas formas de agir. Toda essa interação entre os educandos influencia diretamente no desenvolvimento de cada um.

No grupo tínhamos o Rafa, o Igor, o Cacá , o Vitor e o Giu .

Nesse texto vou relatar uma vivência entre os alunos Giu e Vitor.

Num determinado momento da atividade formei uma dupla, e coloquei o Giu para dar as coordenadas do exercício para o Vitor. O Giu é um menino esperto, mas muito tímido. O Vitor apresenta um comprometimento cognitivo um pouco severo, e tem bastante dificuldade em coordenar os movimentos. Colocá-los em dupla nessa situação de “educador e educando” foi muito interessante, porque o Giu não ficou retraído ao transmitir as instruções e o Vitor seguiu atentamente o que era pra ser executado. Repeti a situação três vezes com a mesma dupla para observar eventuais mudanças de comportamento. Foi interessante acompanhar como desenrolou a comunicação entre eles e como o Giu “ensinou” o exercício. Em um determinado momento senti que o Giu não gostou de ser chamado de professor, pois interferi em umas das vezes e o chamei assim, e ele logo rebateu dizendo que não era. Ao perceber, não me direcionei mais dessa forma e falei que era para um ajudar o outro. Essa foi a única situação fora do normal.

2017, abril, junior 3

            Para Chiarelli e Barreto (2005), as atividades musicais realizadas em grupo auxiliam no desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação. Dessa maneira, o sujeito desenvolve o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se por meio da música em atividades que lhe deem prazer, ele demonstra seus sentimentos e libera suas emoções, desenvolvendo um sentimento de segurança e auto realização. Por isso, temos a música e seu ensino como ótimos aliados para a proposta de socialização e podemos facilmente pensar em um trabalho transdisciplinar com profissionais de várias áreas, objetivando o desenvolvimento global de diversas habilidades.

Referência:

Chiarelli, Lígia Karina Meneghetti; Barreto, Sidirley de Jesus. A importância da Musicalização na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Nº3. Revista Recrearte. Disponível em: http://www.iacat.com/Revista/recrearte/recrearte03/musicoterapia.htm Acesso em: 08 de Fevereiro de 2017.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Link para acessar o vídeo:

https://www.facebook.com/jrcadima/videos/vb.100001606114814/1484906511572872/?type=2&theater

 

FOTOS: Arquivo pessoal do autor.

 

 Junior Cadima: Músico e Pedagogo.  Especialista em  Psicopedagogia, Psicomotricidade e Neurociências aplicada à Educação pelo IBFE, Campinas/SP.  Integrante do Grupo Coordenado pela Professora Adriana Mendes (Instituto de Artes da Unicamp), no qual desenvolve um trabalho por meio da Música no Capsij “Espaço Viver”. Integrante do Grupo de Estudos GERMINA, da Professora Viviane Louro. (Música, Inclusão, Neurociências e Aprendizagem). Docente na Pós Graduação do IBFE, Campinas/SP.  Neuropsicopedagogo e Educador Musical na Clínica Inclusione, Campinas/SP.

 

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