dez 01 2016

Atividade de Estimulação Psicomotora Desenvolvida por meio do Movimento com Copo, Ritmo e Música

Atividade de Estimulação Psicomotora Desenvolvida por meio do Movimento com Copo, Ritmo e Música

 

Junior Cadima

Instituto Brasileiro de Formação de Educadores – IBFE (Campinas/Sp)

jrcadima@hotmail.com

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Essa é Jacqueline Estevam Cerejo Cattani. Em 2004 ela sofreu um grave AVC hemorrágico que atingiu a área temporo-parietal (lobo parietal do hemisfério esquerdo do cérebro), causando sequelas no lado direito do corpo.

Conforme Pires (2015), o lobo parietal tem funções diferentes em cada hemisfério do cérebro. A função do lobo parietal esquerdo inclui a capacidade de entender os números, a manipulação de diferentes objetos e realizar tarefas de escrita. A área temporo-parietal é umas das responsáveis pela coordenação motora fina (movimento das mãos), percepção espacial e esquema corporal.

O objetivo é a reabilitação da Jacque, por meio de atividades que estimulem todo o cérebro, auxiliando na plasticidade cerebral. Uma das propostas é usar a bateria, pois é um instrumento que recruta diversos tipos de movimentos, auxilia no trabalho da reabilitação psicomotora, e age diretamente em todo sistema cognitivo.

De acordo com Louro (2012), o ato de executar um ritmo é uma tarefa complexa, e exige atenção, concentração, raciocínio lógico, noção espacial e de tempo.Para que o aluno compreenda um ritmo, mantenha a pulsação e uma batida constante, é necessário que tenha a capacidade de agrupar, associar, seqüenciar e classificar, exigências essas que estão diretamente relacionadas a competências neurofuncionais. São aspectos diretamente relacionados ao desenvolvimento cognitivo do sujeito.

A proposta é fazer com que a Jacque repita a sequência várias vezes para que o cérebro receba e armazene a informação do movimento. Tentei interferir o mínimo possível durante a atividade e deixá-la confortável para “forçar” e coordenar o movimento no seu tempo. Num trabalho como este a reciprocidade é uma ferramenta importante para que haja progresso nos atendimentos. Aprendo com as informações que a Jacque me fornece, e ela se dispõe atentamente a fazer as atividades que são propostas. O trabalho em conjunto alinha as expectativas e com certeza os resultados são mais eficazes.

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Nessa atividade utilizei um copo de plástico, e a proposta era fazer com que a Jacque batesse com ele na mesa, e mantivesse um mesmo ritmo. Fizemos o exercício com a mão direita, que é o lado que estávamos estimulando.

Dividi a atividade da seguinte maneira:

A) Coloquei 4 copos da mesma cor (roxos) em cima da mesa e numa sequência. Na frente de cada um deles coloquei um número. Contei 1 – 2 – 3 – 4  e pedi que a Jacque contasse comigo em voz alta.

  1. B) Após fazer as contagens em voz alta, pedi que ela tocasse com o copo na mesa, acompanhando os tempos. Tentei interferir o mínimo possível. Auxiliei no início do movimento e depois deixei com que ela fizesse o movimento sozinha, justamente para trabalhar o estímulo motor.
  2. C) Num terceiro momento troquei a cor do copo dos tempos 1 e 2, e substituí por outros dois brancos. Agora ela deveria fazer as contagens e tocar com o copo na mesa apenas nos tempos 2 e 4.
  3. D) Após executarmos a etapa C, coloquei uma música com o andamento mais lento e fiz com que a Jacque identificasse os tempos. Depois pedi que tocasse com o copo nos tempos 2 e 4.

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O objetivo principal da atividade era a estimulação psicomotora do membro superior direito e a coordenação motora fina.

Para Louro (2012), a música age diretamente no desenvolvimento cognitivo e pode ser um instrumento importante para se aprimorar a comunicação e afetividade. Com muita frequência ela assume aspectos de recreação e, certamente, é fonte comprovada de reabilitação.

Conforme Suzano (2016), “seja em que processo for, a música traz influência positiva, mas seu emprego deve respeitar as diferentes necessidades de cada um. Os objetivos que se pretenda com sua utilização devem ser rigorosamente estabelecidos e observados.” (SUZANO, p.83, 2016)

Referências:

Louro, Viviane. Música e Inclusão: múltiplos olhares. São Paulo: Editora Som, 2016.

Louro, Viviane. Fundamentos da aprendizagem musical da pessoa com deficiência. 1ª edição. São Paulo: Editora Som, 2012.

Relvas, Marta Pires. Neurociências e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. 6ª Ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2015.

Junior Cadima:

– Neuropsicopedagogo e Músico – Membro do Grupo de Estudos GERMINA – Grupo de Estudos Relacionado a Música, Inclusão, Neurociência e Aprendizagem, orientado pela Professora Viviane Louro – UFPE – Professor de bateria da Escola de Música Drumfeel Music Center e do Conservatório Carlos Gomes, em Campinas. – Educador Musical da Clínica Inclusione e da Ong Ceesd, onde desenvolve um trabalho de Inclusão por meio da Vivência com a Bateria e Brincadeiras Rítmicas. (Projeto Bateras da Alegria)


 

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2 comentários

  1. Vebonsanto@yahoo.com.br
    Tenho uma paciente com respostas nas funcoes executivs com letargias. Houve uma cirurgia apos o aneurisma qje ela sofreu. Sua funcao motora nao responde ainda do lado esquerdo. Existe algum exercicio
    Que poderia usar ? Esse seria com exito na parte mais motora? Obrigada por desculpas!

    1. Olá, Vera. Obrigada por seu relato. Temos algumas experiências publicadas que poderiam ajudar nesse caso. A estimulação motora é essencial. Veja nossa publicação de hoje, e outras com musicoterapia. Espero que possa ajudar.

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